Para onde caminha o Food Delivery

Com a previsão de faturamento global de mais de USD 151 bilhões para o ano de 2021, o Food Delivery caminha a passos largos, sem enxergar recessão, e arrematando novos adeptos a cada dia.

Dando sequência ao artigo que publicamos no início do mês, chamado A Saga do Food Delivery, vamos olhar, neste momento, as iniciativas que estão sendo feitas nesta indústria e como estão previstos próximos passos de crescimento, no mundo, principalmente no Brasil — mas, antes, precisamos contextualizar alguns pontos importantes.

Segundo o portal Statista o número de smartphones tanto no Brasil, quanto no mundo, estão em franco crescimento. e este é um ponto bastante importante para o crescimento do Food Delivery, e claro, de outras iniciativas de delivery online, como Mercado (Groceries) e Farmácia.

Quanto mais smartphones disponíveis, maior será o Food Delivery e todo comércio eletrônico

A previsão de smartphones para este ano de 2021, no mundo são de mais de 3.8 bilhões de aparelhos, ou seja, praticamente 50% da população mundial terá acesso a aparelhos smartphones.

Já no Brasil, a previsão para este ano, bate a casa de 145 milhões de aparelhos. e chegando próximo aos 160 milhões até 2025. Note o crescimento a partir de 2015, que casa com o crescimento do comércio eletrônico no Brasil, ou seja, quanto mais smartphones estiverem disponíveis, maior será o uso para compras eletrônicas, e o Food Delivery inclusive.

Portanto, o primeiro ponto importante para o crescimento do mercado de Food Delivery é o aumento do número de acessos a internet mobile, e isto depende do número de smartphones e claro, da disponibilidade de internet Brasil a fora, que sim, vem melhorando e sendo ampliada dia após dia — e que com o 5G teria novo boom que é o esperado.

Uma vez resolvida “infraestrutura”, podemos falar de como está hoje em dia, dividindo o Food Delivery — online — em 2 modelos. Os marketplaces e os próprios apps/sites. Durante a pandemia (2020/2021) surgiram inúmeras ferramentas para atender a Bares e Restaurantes de forma única, sem ser o modelo de marketplaces.

Por outro lado, os marketplaces já vinham numa consolidação, e hoje, podemos citar entre 6 a 8 no Brasil com força para se manterem relevantes, num futuro próximo.

Um ponto importante na “guerra” entre os apps próprios e os marketplaces, em parte são as altas taxas — que são compensadas pelo tráfego trazido pelos marketplaces — mas a logística, uma vez que, se você optar por seu “app próprio”, a logística fica por sua conta, seja ela através de gestão própria de frota de entregadores — ou, através de terceiros, como algumas iniciativas de apps de logísticas — mas de pequena relevância e apenas em grandes cidades, assim, um ponto que aumentaria a relevância de a pps próprios seria prover uma logística compartilhada — mesmo que em parceria com outros apps de logística pura, mas já incluindo na oferta para donos de bares & restaurantes, o que facilitaria muito a contratação.

Vamos olhar pro futuro, e trazer insights pensando no que pode vir de importante neste setor.

O objetivo de todos produtos é sempre vender mais pro mesmo cliente, seja aumentando a recorrência do produto, seja dando novas opções para que ele volte a ferramenta.

Nesta linha de novas opções, que vem permeando os marketplaces de Food Delivery, com objetivo de oferecer mais ao mesmo cliente, subindo a recorrência de utilização do app, é a abertura de novos nichos, em plataformas antes focadas exclusivamente para o Food.

Operações como Groceries (Mercado, Supermercados e afins) ou Farmácia têm sido os principais encontrados aqui pelo Brasil. Mas isto tem que ser muito bem pensado em aplicativos que se posicionaram “apps de comida”, diferente de “superapps de qualquer coisa”, pois isto pode enfraquecer a marca nichada — já que quem irá procurar — como primeira opção — uma geladeira ou uma viagem num app de comida, ou vice-versa?

A questão supermercados é bem interessante — que está ligada a “comida” — porém torna a operação mais complexa. Diferente da venda de refeição/lanche, onde o entregador apenas leva o produto do restaurante para o consumidor — ou nem leva, quando a logística é do estabelecimento — nos supermercados, a logística passa pela execução da compra propriamente dita, ou seja, o “personal shopper” entra em operação, tendo que ir até o supermercado, por exemplo, para fazer as compras pelo usuário, o que mobiliza por muito mais tempo o mesmo profissional, além da logística de entrega, que dependendo da compra, exige carro e não mais moto. Fazendo com que a taxa de entrega seja mais “salgada”, e possa ser um entrave para a execução do pedido via marketplace.

Este modelo tem criado um subsegmento — mais imediatista e mais rentável — chamado quick-commerce, ou q-commerce, ou seja, um modelo de venda com entregas rápidas, entre 10 e 15 minutos. Uma ginástica bastante grande para — novamente — a logística.

Para bypassar este problema, os marketplaces estão investindo em dark stores — em resumo, armazéns fechados ou pequenas lojas — sem acesso do público, em pontos estratégicos dos grandes centros urbanos, com os produtos principais estocados, para agilizar a venda e entrega e assim, conseguirem cumprir com a oferta de 10 a 15 minutos na casa do cliente — produtos comuns como gêneros alimentícios como arroz, feijão, oléo, farinha, leite, achocolatado, pequenas porções em geral, limpeza e higiene pessoal, são itens que tem mais procura neste formato, e que possam ser entregues de moto ou bike.

Voltando ao Food em si, algumas iniciativas que temos visto, passam pelo modelo de dark kitchens — alguns marketplaces estão sublocando cozinhas dos próprios parceiros para vender refeições com bandeiras “próprias”, embora esta iniciativa não tenha ainda decolado, é comum fora do Brasil, mas em muito isto não foi visto com bons olhos pelos Restaurantes parceiros, sendo tratado como “concorrência desleal”.

Outras iniciativas de alguns apps, passam por atender a cadeia de suprimentos inteira pensando nos bares & restaurantes, ou seja, já que tem o contato direto com os proprietários e gestores dos restaurantes, porque não aumentar a receita, oferecendo para eles serviços? Neste caso, podem ser serviços de venda de insumos — diretamente da indústria, pulando os intermediários — podem ser serviços financeiros, já que os marketplaces movimentam uma quantia de dinheiro bastante significativa, e por que não ajudar este segmento em sua gestâo — com a oferta de softwares de gestão e pdv?

Bom, existem diversas iniciativas e bons insights que estão em cima da mesa — sem trocadilhos — e que devem ser validados nos próximos meses, mostrando se de fato são sustentáveis e rentáveis.

E você o que acha deste mercado? Quais são suas apostas? Deixa aqui nos comentários para que possamos debater.

Forte abraço e bons negócios!

Marcio Blak, ajudando o mercado de software para food, varejo & franquias a crescer

+20 anos de experiência em gestão empresarial —Especialista no mercado de Tecnologia com forte viés na Transformação Digital do Food Service, Varejo & Franquias

+20 anos de experiência em gestão empresarial —Especialista no mercado de Tecnologia com forte viés na Transformação Digital do Food Service, Varejo & Franquias